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Sindicato dos Empregados

Por Carlos Santos*

Há décadas, o trabalhador do comércio convive com uma ausência silenciosa: a própria ausência. Enquanto a cidade descansava ou as famílias se reuniam para o almoço de domingo, ele estava atrás do balcão. O comércio jamais fechava para o comerciário; e este nunca podia fechar as portas de casa para viver a própria vida. Essa realidade injusta começa agora a mudar.

Recebemos a promulgação da escala 5×2 com muita alegria. O fim da jornada 6×1 sempre foi um anseio antigo da nossa classe, defendido ano após ano pelo nosso sindicato nas mesas de negociação. Essa reparação histórica chega após anos de desgaste físico e mental de uma categoria que aprendeu a adiar consultas médicas, festas escolares, convívio familiar e abraços. O tempo — o bem mais precioso do trabalhador — finalmente começa a ser devolvido.

Garantir dois dias de descanso por semana transforma a vida fora da jornada. É importante destacar que, pela natureza do nosso setor, essas duas folgas semanais seguirão um regime de escala, não sendo obrigatoriamente aos sábados e domingos ou em dias consecutivos. Mesmo assim, ter dois dias de pausa representa um avanço gigantesco para acompanhar o crescimento dos filhos, cuidar da saúde e descansar.
Além do bem-estar, a mudança traz a oportunidade de aperfeiçoamento profissional. Com mais tempo livre, o comerciário pode estudar, fazer cursos e investir em sua carreira, gerando trabalhadores mais valorizados e com melhores salários.

Aos que se preocupam com a economia, respondo com convicção: a medida é viável e benéfica. Um profissional descansado adoece menos e produz mais. Além disso, ter dois dias de folga estimula o lazer e o consumo local. O comerciário que descansa passeia, consome e movimenta o comércio de Campo Grande. Justiça social e saúde econômica caminham de mãos dadas.

A redução da jornada será gradual e responsável: em dois meses, a carga máxima cai de 44 para 42 horas semanais, já com os dois dias de folga garantidos; após um ano, atinge o patamar definitivo de 40 horas, sem qualquer redução nos rendimentos. É uma transição planejada que dá fôlego para as empresas se adaptarem.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG) acompanhará de perto cada etapa dessa transição, garantindo os direitos e mantendo o diálogo aberto com o setor patronal.

Celebramos essa vitória histórica sabendo que a vida da família comerciária será outra daqui para frente: muito mais justa, digna e humana.

*Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG)*

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